O relato de Nelson Oliveira

Se você chegou até aqui, é porque sabe que o menino Nelson tem muita história pra contar, né? Então veja as histórias dele pela Irlanda na íntegra:

Eu não sei se é a ordem natural das coisas, mas desde pequeno eu sempre tive a necessidade de morar em outro país, e como professor de inglês esta experiência é praticamente vital para o currículo de um bom profissional.

Era Janeiro de 2012 e eu me sentia um pouco perdido depois de ter tido meu visto para o Canadá negado, porém eu estava determinado a morar em outro país de língua inglesa naquele ano. Eu nunca tinha pensado na possibilidade de ir morar em Dublin, e pra ser sincero nem sabia ao certo se Dublin ficava na Irlanda ou não, até que o namorado de uma amiga, que já havia feito intercambio para lá me falou das vantagens de morar na Irlanda e poder conhecer a Europa. A pesquisa na internet não foi muito minuciosa, mas já de cara vi que o lugar tinha muito brasileiro e que a concorrência entre as escolas de inglês era muito grande. Preferi entrar em contato com uma agencia de viagens, na qual tive a oportunidade de trabalhar meses depois da minha chegada em Dublin.

Primeira foto do Nelson em terras irlandesas

Primeira foto do Nelson em terras irlandesas

O inverno paraense não chega nem a 25 graus e o primeiro choque foi contato com frio de 1 grau. Eu já havia viajado pela América do Sul no inverno, mas nada se comparava ao frio de Dublin. Logo de cara achei que eu estivesse num filme naqueles bem românticos hollywoodianos, a arquitetura da cidade toda parecia cenário de filme. Fui recepcionado e logo fui para a minha primeira acomodação, onde eu fiquei por duas semanas e fiz melhores amigos do coração que estão comigo até hoje. Uma coisa curiosa foi o meu primeiro dia num flat irlandês. O sistema de aquecimento de água é bem diferente do que eu já havia visto, o fogão era diferente, e os interruptores ficavam todos para o lado de fora, ou seja, você tinha que acender a luz antes de entrar no banheiro. Meu primeiro dia foi um caos, banho frio, sem adaptadores de tomada pra ligar meu computador, não sabia ligar nem o fogão e mal sabia fritar um ovo. Eu fiquei duas semanas sozinho no flat e tive que fazer amizade com os intercambistas dos outros apartamentos.

O sonho de todo mundo que mora em um país que nunca neva: conhecer a neve.

O sonho de todo mundo que mora em um país que nunca neva: conhecer a neve.

Próximo de terminar a segunda semana eu comecei a perder o sono. Era fim do inverno e na semana do St Patrick’s day, o que quer dizer que a cidade estava cheia de turistas e não havia casa, hostel, hotel ou acomodação sequer para alugar e meu prazo estava se esgotando na acomodação. Foi meu primeiro desafio morando só e em outro país, mas com muita luta consegui encontrar uma vaga numa república de brasileiros, mas não durou muito tempo. O aluguel era caro, o flat não era bom e a convivência era terrível. O difícil de dividir flat é você encontrar pessoas na qual você se identifique para levar uma convivência sadia. Mas passado um mês da minha chegada eu finalmente consegui encontrar um lugar onde eu me sentia acolhido, já tinha um circulo de amizade formado, e as aulas na escola iam de vento em poupa, o que significa que eu já estava pronto para aproveitar o que Dublin tinha para me oferecer.

St. Patrick's Parade

St. Patrick’s Parade

Uma das coisas que me deixaram um pouco triste foi o St Patrick’s day. Todos tem curiosidade em saber como é celebrado estando na terra dos Leprechauns, e eu posso dizer uma coisa, é um carnaval organizado, com muita gente, um desfile que não faz muito sentido para quem não é Irlandes, já que se parece com uma mistura de sete de setembro, parada gay e desfile de escola de samba. O frio é de bater o queixo e é proibido beber durante o desfile. Porém minutos depois da do desfilo, os pubs já estão todos cheios, quase impossíveis de entrar. Este é um dos poucos dias em que é permitido beber na rua, porém esta permissão se restringe somente a região do Temple Bar. O temple bar é uma região cheia de ruazinhas onde se concentram bares que foram inaugurados antes mesmo do Brasil ser descoberto. As pessoas bebem sem controle algum, mas todos muito conscientes, ninguém dirige bêbado na Irlanda, e briga entre bêbados é algo bem raro de se ver. Eu cheguei à conclusão de que eles precisam beber pra ficarem mais extrovertidos, então é muito fácil fazer amigos de infância na balada, pena que no outro dia ninguém lembra nem do seu nome e após curar a ressaca com um Irishbreakfast a timidez volta à tona.

Olha aí a Temple Bar, que a Anne já falou pra vocês aqui também.

Olha aí a Temple Bar, que a Anne já te falou aqui também.

Falando em irishbreakfast, outro dia um aluno meu me fez uma bateria de perguntas sobre a culinária irlandesa, já que ele teria que fazer um trabalho para a escola. Sobre a culinária eu confesso que não sei muito, já que Dublin é uma cidade pequena, porém muito cosmopolita, então se encontra todo tipo de restaurante e culinária do mundo inteiro, desde restaurantes indianos, mexicanos, argentinos, espanhóis, franceses e afins. Mas não tem como morar na Irlanda e não experimentar o famoso irishbreakfast, que é nada mais nada menos que black pudim, um bolo de carne acompanhado de bacon ❤ , ovos mexidos e sweetbeans, isso mesmo SWEET BEANS, feijões doce, blargh! Mas calma, a parte do bacon é legal, pena que mesmo acostumado a comer vatapá no calor do meio dia, aquele irishbreakfast me deu uma baita dor de barriga. Outra coisa muito popular nas ruas de Dublin é o fish n chips. Filé de peixe frito acompanho de batatinha frita, que inclusive você pode comer até de graça, já que a concorrência de fish n chips é grande e muitos dos restaurantes fazem demonstração na porta. Muitos brasileiros trabalham com demonstração de fish n chips, dá pra pagar o aluguel e tomar umas brejas, então vale, né?

Sempre que alguém está chegando em Dublin, ou está indo pra lá, a primeira pergunta que fazem é: tem trabalho fácil? Eu costumo dizer que trabalho fácil nem no Brasil. Então vai depender muito do seu inglês, do empenho na hora de procurar e lógico, tentar fazer o máximo de contatos possível para que você possa ser indicado a algo legal. A maior parte dos empregos são subempregos, mas eu como disse, dá pra se manter muito, mas muito bem. Eu tive sorte de não ter que cair no subemprego porque já fui com o inglês bem avançado e consegui fazer bons contatos, mas não se iluda, porque a minha experiência é quase uma em cada dez intercambistas.

Eu devo muito a esta experiência, já que foi o meu primeiro contato morando longe da minha família e tive a oportunidade de conhecer vários países da Europa. Uma das vantagens de morar em Dublin é poder viajar, não só pela Irlanda, que é linda demais, mas também para outros países da Europa.

Nelson em Belfast, na Irlanda do Norte, e o Museu do Titanic.

Nelson em Belfast, na Irlanda do Norte, e o Museu do Titanic.

O interior da Irlanda é muito lindo, cenário de diversos filmes e a locomoção é muito fácil, já que o sistema de trens é bom e barato, então quase todos os finais de semana, durante o verão, nós íamos para alguma cidade perto. Dá pra ir e voltar no mesmo dia, dependendo do lugar, e existem países de montanhas, praias e florestas. Um dos lugares que mais gostei de conhecer se chama Wicklow, lugar onde foi rodado o filme PS Eu te amo. Um lugar lindíssimo, com florestas, lagos e montanhas, perfeito para um dia de verão, já que tínhamos sol até as 22h.

Em Wicklow.

Em Wicklow.

A cidade de Dublin é uma pequena grande cidade, todos fazem praticamente tudo andando, o que nos dava muita qualidade de vida, e economizava bastante com transporte. Mas o lado bom é que a cidade recebe as grandes turnês de diversos artistas e muitos espetáculos musicais. Uma coisa que me ajudou muito a melhorar o inglês era ir ao cinema. Em Dublin existe um plano de cinema na qual você paga 20 euros mensais e tem direito a ir ao cinema quantas vezes você quiser. Um deleite para os cinéfilos. O que eu mais sinto falta são os parques. O St. Stephen’s Green é um lugar onde reúne pessoas de todas as tribos. Durante o verão todos vão se jogar na grama pra tomar sol, tocar violão e fazer picnic. Como o parque fica localizado na região central da cidade, muitas pessoas aproveitam o horário do almoço pra dar uma voltinha e fazer um lanche por lá mesmo.

Uma caminhada ao ar livre na Stephen's Green Park?

Uma caminhada ao ar livre na Stephen’s Green Park?

Bom, já falei demais e espero ter deixado vocês apaixonados por Dublin e pela Irlanda assim como eu também fiquei. Os Irlandeses são farristas e beberrões, talvez esse seja um dos motivos pelos os quais brasileiros e irlandeses se dêem tão bem. Um intercâmbio bom e super em conta, e um lugar que vale muito a pena conhecer.

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Um pensamento sobre “O relato de Nelson Oliveira

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