Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceiERROR

A LUZ! ELA ESTÁ ME PUXANDO! O FIM SE APROXIMA!

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Ok, (faz respiração cachorrinho) mantendo a calma agora. A gente sabia que esse dia chegaria, mas não dá pra evitar esse ~gostinho de quero mais~ que fica. O Bagageiro está chegando ao fim, e para não deixar arrependimentos para trás nós demos a volta ao mundo e voltamos à nossa terrinha, o Brasil. E vocês estão prontos para o que vem por aí hoje, crianças? Estamos, capitão! Eu não ouvi direito. Estamos, capitão! Hoje é dia de Pra Sentir, galera! E nós vamos ter dois mochileiros falando um pouco sobre as suas experiências em terra brasilis, mais especificamente, nesse país que se chama Pará.

O nosso primeiro mochileiro vem direto da República Democrática do Congo, um país no coração da África e um dos maiores do continente em extensão. O Nathan DeDieu está atualmente estudando jornalismo aqui no Brasil e vive em Belém. Como muitos mochileiros que já colaboraram aqui com a gente, o Nathan tem uma bagagem lotada de histórias legais e não tão legais sobre a estadia dele aqui no Brasil até agora. Fica mais legal se ele te contar, certo?

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Mochileiros, conheçam o Nathan

Quando cheguei aqui, eu amei a cidade, ou seja, o Brasil pelo acolhimento do seu povo a nós. É verdade que quando se desloca do teu lugar, você primeiro vai sofrer um choque cultural enorme. Foi o que que aconteceu comigo. Mas uma coisa eu aprendi, a respeitar o outro, isto é, respeitar sua maneira de sentir, pensar e viver. Então eu não me preocupei em descobrir o estranho e exótico na cultura brasileira, mas buscar entender, com auxilio da cultura brasileira, a minha cultura.

Infelizmente nem tudo são flores, e o Nathan acabou vivendo um lado muito triste e, porque não, vergonhoso do Brasil e de muitos outros países.

A coisa que mais me entristece é o racismo sutil presente no Brasil que eu sofro quase permanentemente na cidade por ser negro. Por exemplo, uma pessoa que não quer cruzar no caminho ou no supermercado, que multiplica a vigilância quado você entra, ou no ônibus, uma pessoa que não quis sentar contigo mesmo que só falte aquele assento. Apesar disso, eu gosto muito do povo brasileiro que me lembra um princípio chave da minha cultura, a solidariedade. Esse racismo sutil não é somente brasileiro, toda cultura do mundo o tem, mesmo a minha. Foi ele que me ajudou a perceber, na minha cultura, a presença desse tipo de racismo.

Pois é, em meio às suas observações o Nathan percebeu também algumas coisas bem semelhantes (e outras nem tanto) entre Brasil e Congo, olha só.

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Como um bom mochileiro, o Nathan (à esq.) já viu que as novas amizades são uma das partes mais legais de viajar

Uma grande diferença entre o Congo e o Brasil é a tradição democrática que existe aqui. Mas esta realidade é devido o fato de que o Congo faz este ano 54 anos da experiência “democrática” e o Brasil já tem mais que isso. Também o Brasil é mais desenvolvido do que o Congo. Os dois países são os mais ricos do mundo em relação às riquezas naturais, por exemplo, o Brasil tem a primeira floresta do mundo, o Congo tem a segunda, o Brasil tem o primeiro rio do mundo pela potência, o Congo o segundo. Mas no mundo não há um país mais rico naturalmente como o Congo. A ironia da história, se emprestar essa ideia do Max Weber, é de que o Congo não é desenvolvido como o Brasil. Outra coisa, mesmo que em parte, no Congo há uma estabilidade militar, eu não vivia na sensação do medo como aqui no Brasil que não tem uma estabilidade militar. Sobre a culinária, eu respeito a culinária brasileira na sua diversidade, mas eu não gosto da maioria das comidas daqui, salvo a feijoada e o cupuaçu. Aqui quero mostrar uma coisa, como a minha professora de teorias de antropologia, Marilu diz “que nós comemos a cultura e não a comida”. E tem razão, por isso é difícil falar que a comida daqui é ruim ou melhor que a minha. Quando cheguei aqui, eu reconstruí minha visão adquirida do Brasil de ser o país de futebol, carnaval e mulheres bonitas que é verdade, para ver que ele é mais que isso.

Já a nossa segunda mochileira está aqui por outros motivos. Quem é ela, vocês me perguntam? Sou eu.

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Ok, calma, isso vai fazer sentido (eu acho). Quem leu os nossos textos de apresentação lá no começo do blog (acredito que poucos, haha) sabe que eu sou a única integrante d’O Bagageiro que não nasceu em território paraense (fora de Belém tem ainda a ~pérola de Ourém~ Gustavo), o que me faz uma mochileira aqui. RÁ! E dando um feedback naquele papo de implorar por intercâmbio pra Deus e o mundo, eu e a Natália vamos ser mochileiras pelas “zoropa” em pouco tempo. Então vocês imaginam o quanto estou em sintonia com esse momento Pra Sentir dos países. Fez sentido agora? Não? Finge que fez então.

Esse tem sido um espaço do blog mais do que especial para todos nós que fazemos O Bagageiro, porque é aqui que o nosso objetivo se mostra mais claramente. Mais do que se deslocar de um lugar para outro, viajar é trocar experiências, por isso a gente acreditou que essas “viagens” seriam possíveis por aqui. O que deu pra perceber pelos 12 Pra Sentir que rolaram por aqui (contando com este aqui) é que a parte principal das nossas viagens no blog foram as pessoas. Por isso, nada mais justo e devido do que agradecermos profundamente aos nossos colaboradores: da Austrália, a Mayara Albuquerque, o Gilmar Neves, a Renata Pinheiro e a Luana Sawada; do Canadá, o Uriel Pinho, o Ricardo Minotto e a Denize Balmberg; da Coréia do Sul, o André Luiz (a.k.a. Eddie), o Carlos Henrique (a.k.a. DJ Masa), a Lorena Paes e o Leonardo Ferreira; da Irlanda, a Anne Beatriz e o Nelson Oliveira; da África do Sul, a Angélica Nunes, a Priscila Silva e a Marília Gonçalves; e do Brasil, o Nathan DeDieu. Aos que são próximos e aos que a gente nem conhecia mas já gosta tanto: muito obrigada, pessoal!

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Quero agradecer a Deus, aos mochileiros e à Xuxa

Então é isso, mochileiros, a gente se encontra pelas internets, em outras viagens. Ah, e não esqueçam de conferir o último Pra Ler de amanhã, nosso último post de fato OU SERÁ QUE NÃO (amo/sou ambiguidades).

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