Athol Fugard: prazer em conhecê-lo

Livros, peças, um filme, um Oscar, uma família de escritores, outras inúmeras premiações e muito, muito talento. O segundo e último Pra Ler da África do Sul vai dar uma passeada também pelo Pra Ver e eu, que já me considero uma humilde fã, te apresento o multiuso Athol Fugard e te mostro algumas dicas pra esse domingo e fim de ano preguiçosos. 

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Athol Fugard: o mil e uma utilidades

Por uma breve biografia

Nascido em 1932, em Middelburg, filho de mãe sul-africana e pai de origens irlandesa e inglesa, Harold Athol Lanigan Fugard, largou a universidade em 1953 e resolveu viajar pelo continente africano pegando carona com um amigo.

Ele trabalhou um tempo em um navio, onde manteve registros escritos de sua experiência. Nascia ali o que se tornaria a primeira peça autobiográfica de Athol Fugard. Em 1956 ele casou com Sheila Fugard, também escritora. O fruto não poderia ser tão diferente da árvore, e dou um doce pra quem adivinhar a profissão da filhota Lisa Fugard (escritora, dã! – mas também atriz).

Foi em 1958, trabalhando num tribunal que atendia às causas de nativos, que Athol percebeu que tinha algo errado com aquele tal de apartheid. Foi aí que ele começou a escrever peças com uma certa regularidade e, o que já não é novidade aqui no Pra Ler da África do Sul, seu engajamento político trouxe alguns problemas com o governo. Por isso ele acabava ~exportando a maioria de suas peças.

Atualmente ele e a mulher moram em San Diego, onde ele é professor adjunto do Departamento de Teatro e Dança da Universidade da Califórnia – já pensou que louco ter um professor desses?

O livro que ganhou um Oscar

Escrito em 1980, a história de Tsotsi se passa no fim dos anos 1960. O título do livro é também o nome dado ao personagem principal, que significa algo como ‘trombadinha’. A história retrata um jovem integrante de uma gangue, um garoto que tem que lidar com o preconceito e a intolerância racial.

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Durante um assalto, Tsotsi não percebe que, dentro do carro roubado, havia um recém-nascido. O personagem, que é descrito como sem coração, ou incapaz de desenvolver vínculos com quem quer que seja, se vê obrigado a lidar com aquela criança.

É através do bebê que ele relembra sua própria infância traumática, durante a qual havia fugido de uma mãe doente e de um pai abusivo. É também por causa da criança que ele busca mudar sua postura e a história se desenrola num final ambíguo e enigmático (mais informações aqui, em inglês e com spoilers).

Adaptado e dirigido por Gavin Hood em 2005, o filme homônimo foi descrito como o “Cidade de Deus da África”. Além disso, ganhou, nada mais, nada menos, que o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, além do prêmio de Escolha da Audiência no Festival de Toronto (que até já te mostramos por aqui) e várias outras indicações festivais afora.

Os dois países que ganharam um Tony

Em 2011, Athol ganhou o Tony Awards, considerado o Oscar do mundo do teatro. O comitê que deu o prêmio a Athol, depois de outras seis indicações prévias, afirmou que o trabalho dele sempre se posicionou contra o racismo e continua a passar mensagens de liberdade e igualdade.

No discurso de agradecimento, emocionado, Athol diz que “nesse momento incrível, tudo se resume a dois simples, mas imensos ‘obrigados’. Obrigado África do Sul. Obrigado América”.

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Tudo muito bonito e emocionante, mas não chora, não. A gente também já tá com saudades da África do Sul, mas aguenta firme que ainda tem mais uma semana de altas surpresas e aventuras com essa turminha da pesada d’O Bagageiro. Fica ligadinho na gente aqui no blog, ou nas nossas páginas no Facebook e no Twitter.  Tchau!

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