Diferentes modos de ser e crer

Quase sempre que pensamos em África, as primeiras imagens que vêm à nossa mente são de girafas, leões, elefantes e o nascer do sol com aquela música do Rei Leão, que quando eu era criança eu cantava NAAAA, TSAVENIA!!! (mentira, eu canto até hoje mesmo). A mídia, os documentários, a escola, e até mesmo a Disney reforçaram esses esteriótipos na nossa concepção do continente africano. Não que isso seja ruim, pois a África é sim isso tudo, possui uma natureza linda e encantadora, e seus habitantes têm muito orgulho das riquezas naturais com as quais foram presenteados.

Porém, como todo lugar, a África do Sul, é muito mais do que isso. E nesse Pra Começar, eu vou te mostrar algumas curiosidades mais ~educacionais~ sobre o país, tipo, coisas que tu não sabias que rolavam, eram ou aconteceram por lá. Um post pra começar bem a última semana do ano.

A África do Sul talvez seja o país onde foram feitas as fotos mais lindas da Nat Geo

A África do Sul talvez seja o país onde foram feitas as fotos mais lindas da Nat Geo

A primeira coisa que eu queria dizer é que TOLKIEN é SUL-AFRICANO! Acho que vou derrubar um pouco as pautas da Amanda Pinho, que ficou responsável pelo Pra Ler, mas eu tinha que dizer isso antes dela. John Ronald Reuel Tolkien, ou J. R. R. Tolkien, é o criador da Terra-média, escritor de O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion, além de inúmeras obras relacionadas ao estudo das línguas e idiomas. Tolkien é ainda hoje o maior autor de fantasia do mundo, pois reformulou o gênero junto com o brother dele, o C. S. Lewis, como nós já mostramos aqui nesse Pra Ler da Irlanda. E, mesmo tendo nacionalidade britânica, ele nasceu em Bloemfontein, a sexta maior cidade da África do Sul e uma das três capitais, junto com Prétoria e a Cidade do Cabo, sendo que Bloemfontein é a capital do judiciário.

Eu me curvo perante sua magnificência, ó Senhor da Fantasia

Eu me curvo perante sua magnificência, ó Senhor da Fantasia

Tolkien se mudou para a Inglaterra quando tinha três anos, e isso mostra como é forte a ligação do Reino Unido com o continente africano, que pra entender melhor é só ler o Pra Começar anterior. Isso mostra como a população do país é diversa. Segundo dados do último censo (2011), 79,2% da população é formada por negros e 8,9 % por brancos. Mas a mistura das etnias é tanta que, assim como no Brasil, fica difícil classificar pessoas por apenas uma. Tanto que, existem algumas pessoas com descendência africana, mas não o suficiente para serem consideradas negras. E por isso foi criado o termo “coloured“, que equivale ao nosso pardo ou mestiço. Atualmente, eles representam 8,9 % da população do país.

Cape Town South Africa

Uma família “coulered” para o padrões étnicos sul-africanos.

Toda essa diversidade, como não poderia deixar de ser, se traduz na religiosidade do país. Os cristãos representam 79,7% da população, sendo que as principais ramificações são os católicos romanos (7,1%), metodistas (6,8%), holandeses reformados (6,7%) e anglicanos (3,8%). Cerca de 15,1% não tem qualquer filiação religiosa, e entre essa parcela da população, muitos têm ligação com as religiões indígenas tradicionais do continente africano, como a mitologia ZuluYorùbá Tumbuká. Essas religiões se espalharam pelo mundo e misturaram-se com várias outras, principalmente o cristianismo. Aqui no Brasil, o resultado dessa miscigenação da religiosidade influenciou a criação da Umbanda e do Candomblé.

O fotógrafo americano James C. Lewis, presidente da Noire 3000 Studios, morou um tempo na Nigéria e se apaixonou pelas religiões da África. Ficou tão fascinado que resolveu criar a série Yorùbá African Orishas

Orishas-by-Noire-3000-aka-James-C.-Lewis-Olorun

Olodumare, Olorun ou Ifá: deus supremo criador do Universo, divindade reconhecida na maioria das religiões africanas

O ensaio do fotógrafo é ótimo para quebrar preconceitos pois, mesmo em um país que foi construído pelas diferenças como o Brasil, ainda existe uma recriminação muito forte com as religiões africanas e derivadas. Esse trabalho mostra como as religiões do mundo não são tão diferentes assim umas das outras, e reforça como as misturas das crenças enriquece a cultura de um povo. Um dos exemplos é o deus guerreiro Ogum, que na Umbanda foi associado ao santo guerreiro, São Jorge.

Orishas-by-Noire-3000-aka-James-C.-Lewis-Ogun

Galero, esse foi o post que abriu a nossa segunda e última semana da África do Sul. Diversidade é a palavra que define esse país (e o continente como um todo). Não deixa de compartilhar, comentar e curtir . A gente se vê 😉

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Um pensamento sobre “Diferentes modos de ser e crer

  1. Pingback: Nos palcos da África do Sul | O Bagageiro

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