Terra da diversidade e da igualdade: bem-vindos à África do Sul!

Atravessando o Oceano Atlântico, existe uma terra que é pura cor, calor e energia. No extremo sul, bem  na pontinha da África, está um dos países que mais agrega valor à história e às lutas do continente, por isso ele traz essa representatividade no próprio nome: bem-vindos à África do Sul!

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A escolha do país da vez aqui n’O Bagageiro não podia ser mais pertinente. Recentemente, o líder sul-africano Nelson Mandela nos deixou. Mas nada de tristeza, pois o Madiba só teve seu merecido descanso após uma vida inteira de lutas em defesa do respeito e da igualdade. Como nós já viajamos pela Oceania, pela América, pela Ásia e pela Europa, quando chegou a hora de falar da África, a África do Sul foi eleita a terra pela qual nós vamos viajar pelas próximas duas semanas! Vamo começar?

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A África do Sul é um país diverso em sua essência (do jeito que O Bagageiro gosta, hehe). Ele possui onze línguas oficiais: ndebele, sesotho do norte, sesotho do sul, swazi, tswana, tsonga, venda, xhosa, zulu, africaner e inglês (ufa!) Essas últimas têm origem europeia: o africâner é originado a partir do holandês e o inglês sul-africano é uma variação do idioma bretão. Essa ligação com Europa se deve ao fato de que, assim como o Brasil, a África do Sul foi colônia europeia durante muito tempo. Essa ocupação foi em sua maioria exploratória. Começou assim: a Companhia Holandesa das Índias Orientais fundou, em 1652 uma estação de abastecimento que mais tarde se tornou a Cidade do Cabo. Em 1795, durante a Guerra Anglo-Holandesa, os ingleses ocuparam a Cidade do Cabo, e instauraram ali a capital da Colônia Britânica do Cabo.

Após as Guerras dos Boêres, que foram dois confrontos armados entre colonos de origem holandesa e francesa contra o exército britânico (disputando as minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território), foi criada a União Sul-Africana, que anexou as colônias dos boêres do Transvaal e do Estado Livre de Orange às colônias britânicas do Cabo e de Natal, em 1910. Aí estavam criadas as bases do futuro país, já como parte do Reino Unido.

Os boêres preparados para a batalha

Os boêres preparados para a batalha

O Apartheid

Após a fundação da União Sul-Africana, a Lei das Terras dos Nativos, de 1913, restringiu severamente a propriedade de terra por negros (os nativos controlavam apenas  7% do território do país). Mais tarde, a política de segregação racial foi oficializada (em 1948) pelo Novo Partido Nacional (NNP). Entram as muitas restrições que o apartheid exercia, uma delas era a proibição aos negros de adquirirem terras na maior parte do país, forçando-os a viver numa espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos.  Resumindo:  a minoria branca detinha todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra só obedecia.

Área reservada "somente para brancos" durante o Apartheid

Área reservada “somente para brancos” durante o Apartheid

Claro que houveram movimentos de oposição ao regime. O Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, começou a incitar o povo a se revoltar. Em 1960, durante uma manifestação, a polícia matou 67 negros, episódio que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville. Após o incidente, o CNA foi declarado ilegal (Como pode? Quem realizou o massacre não foi a polícia???) e seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.

Enquanto esteve preso, Mandela continuou sua articulação do movimento anti-apartheid, e novos movimentos de luta surgiram por causa do exemplo do mártir. O mundo inteiro começou a ver como a segregação na África era um problema sério, e a comunidade internacional se mobilizou contra a sua prisão. Somente em 1990 Nelson Mandela foi libertado e, mais do que nunca, continuou sua luta até culminar no fim do apartheid na África do Sul. Em 1992, as leis segregacionistas foram finalmente abolidas com o apoio de Mandela e do presidente conciliador Willem de Klerk, que há muito tempo já estava articulando o fim da segregação.

Após o fim do regime Apartheid, Mandela ganhou o Nobel da Paz e foi eleito presidente da África do Sul em 1994, após as primeiras eleições multirraciais do país. Se o Apartheid já havia acabado, com a vitória de Mandela aconteceu uma verdadeira revolução e exterminação das práticas racistas do Estado africano.

O Madiba (como era carinhosamente chamado, termo que remete ao seu clã) faleceu em 5 de dezembro de 2013, em sua casa, na cidade de Johannesburgo. Hoje, falar da África do Sul e de igualdade social e racial sem mencionar seu nome é praticamente impossível. Fica aqui a homenagem d’O Bagageiro ao homem que renovou o espírito de uma nação inteira e que mostrou ao mundo que tudo fica mais fácil onde existe a paz e o respeito. 🙂

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Já começamos emocionando, né? Então se prepara que essas semanas serão repletas dos mais diversos sentimentos. O que será que a galera d’O Bagageiro preparou pra África do Sul, hein? É só ficar acessando todo dia pra saber! Até mais!

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4 pensamentos sobre “Terra da diversidade e da igualdade: bem-vindos à África do Sul!

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