Qual é a resposta certa, Lombardi?

“É Coreia do Sul, Silvio!”

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Coreia, ôe!

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Sim, chegou a hora que eu esperei ansiosamente, com todos os gifs pré-selecionados de falar da terra do PSY! Com vocês: 대한민국! ~todos aplaudem~. Então, apesar dos olhos puxados, a Coreia do Sul tem muitas diferenças em relação ao Japão e outros países asiáticos e a missão aqui n’O Bagageiro nessas duas semanas é mostrar essas diferenças (e algumas semelhanças também, por que não?). Então abra sua mente e suas asas, solte suas feras, e venha desembarcar sem preconceitos na Coreia (vale lembrar que a gente pode acabar se referindo só pelo primeiro nome aqui, porque, sabe como é, amizade e tals… mas não esqueçam que estamos falando da irmãzinha do Sul).

Coreia do Sul 101

A Coreia do Sul é um país originado da (grande) Coreia em 1948. Antes disso, junto com a Coreia do Norte, ele formava um país apenas. Essa Coreia unida passou por muitas reconfigurações territoriais até ter um território mais semelhante ao que forma os dois países hoje, num período conhecido como a Era Joseon, no século XV (15, pra você que esqueceu como se lê número romano), que é considerado um dos momentos mais importantes da definição do que é hoje a cultura tradicional coreana. A história de prosperidade do país começou a mudar com a dominação japonesa no século XIX, que, no melhor estilo fascista, tentou impor a cultura japonesa até na língua falada no país. Mesmo com movimentos de independência que se espalharam pelo país, a Coreia só conseguiu se livrar do país vizinho no final da Segunda Guerra Mundial, quando a terra do sol nascente levou o farelo foi derrotada pelos Aliados.

Dica da Mari nº 1: A língua oficial falada na Coreia do Sul é o Hangul, criado na era Joseon. Ela é formada por 14 consoantes e 10 vogais, e pessoalmente, acho a menos complexa de se compreender no leste asiático, onde países como China, Japão e outros possuem vários dialetos ou dez alfabetos diferentes. Para os que já arranham inglês, o site Talk to me in Korean, fundado por estudantes coreanos que vivem no Canadá, é uma boa pedida para aprender a língua. Além do site muito bem feito, as lições são fáceis, curtas e muito interessantes.

Sai o Japão, entram os EUA dominando ao Sul  e a União Soviética dominando ao Norte do Paralelo 38 (linha definida no período para dividir o território coreano, e que permanece hoje como fronteira entre Norte e Sul). Uma eleição obrigatória definida pela ONU, em 1947, mostrou que a divisão já era real quando o Norte (leia-se União Soviética) se recusou a participar, e indicou como seu líder “o Garra, o Garra é nosso mestre” Kim Il Sung, enquanto no Sul, Syngman Rhee foi eleito. Em 1950, o Norte iniciou uma guerra que envolveu a participação de outros países como os EUA e a China, e devastou a Península Coreana. O conflito foi finalizado com um acordo e separação oficial dos países em 1953. Ainda assim a tensão entre as duas Coreia é uma realidade até hoje, quando todo homem sul-coreano entre as idades de 18 e 30 anos é obrigado à cumprir serviço militar por dois anos, sem exceções. A tensão se mantém mesmo após a morte de Kim Il Sung e seu sucessor, Kim Jong Il, e deixou o mundo inteiro em alerta no começo desse ano.

WAR & CONFLICT BOOK ERA:  KOREAN WAR/COMBAT

A Guerra da Coreia dizimou muitos, causou miséria e separou muitas famílias. É até hoje uma cicatriz na vida dos dois países

Desde a Guerra da Coreia, a Coreia do Sul viveu um período de recuperação em tempo recorde. Saiu de um dos países mais pobres nos anos 1950 para uma das maiores potências econômicas da atualidade, estando empatada no primeiro lugar entre os países com a melhor educação do mundo (que tal aprender com essa, Brasil?) e é um dos maiores centros de pesquisa em Tecnologia da Informação.

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O país, uma península, se divide em seis cidades metropolitanas, nove províncias e uma cidade especial, a capital Seul, que comporta sozinha 10 milhões dos quase 51 milhões de habitantes do país. Por esse e outros motivos, Seul é a décima maior cidade do mundo, marcada pela mistura da memória coreana tradicional e a vida urbana tecnológica. O que muita gente não sabe é que fora de Seul tem muitas coisas legais mais para se conhecer. A cidade de Busan é o maior porto do país e a segunda maior cidade, o pessoal por lá gosta de curtir as praias no verão e fala com satoori (sotaque) muito mais legal totalmente diferente da capital. Mas para os turistas o papo é a ilha de Jeju, onde as belezas naturais (de praias a cachoeiras) atraem pessoas do mundo todo. Mas chega dos lugares, vamos pra melhor parte de toda a viagem. Não, não é comida. Ok, vamos à segunda melhor parte de toda viagem: as pessoas.

Aegyolândia

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Esse cara tem quase 30 anos, acredite

A Coreia do Sul é, segundo eu mesma, a terra mais fofa do planeta. Por lá, fofura se chama aegyo e é algo valorizado, principalmente em mulheres, mas os homens não ficam de fora. Os homens coreanos tem noções muito diferentes de masculinidade, em relação a muitos ocidentais: demonstrar afeto e ter contato físico com outros amigos homens é algo comum, assim como tomar cuidados com a pele (um dos cuidados mais importantes para coreanos de todos os gêneros), além disso, gostar de moda não é coisa de menininha, é coisa de todo mundo. E por isso os coreanos são um povo muito fashion. Estética e beleza é algo muito valorizado por lá, e a busca pela perfeição é generalizada. Por isso a Coreia do Sul é o país número 1 em cirurgias plásticas, e a situação já chegou em estado alarmante. Uma em cada cinco coreanas já fez cirurgia plástica, segundo o instituto de pesquisa Trend Monitor. Por lá acontece muito de pessoas que fazem um procedimento chamado “facial”, onde altera-se o formato rosto (para torná-lo menor), os olhos e o nariz também entram na jogada. E não, não é simplesmente por querer se enquadrar num padrão de beleza, só pra ser mais uma gatinha(o) na balada, esse é um quesito levado em conta até na hora da disputa por emprego, e por isso a pressão social é muito maior.

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Park Bom, integrante do grupo Kpop 2ne1, é um dos exemplos mais emblemáticos da transformação da cirurgia plástica no país

A sociedade coreana é totalmente hierárquica, e quem manda é o mais velho (e por mais velho quero dizer a partir de um ano de diferença, já conta, viu). A língua é uma das formas mais evidentes dessa hierarquia, em que você nunca deve se dirigir a alguém mais velho falando banmal (linguagem informal), sempre em jondaemal (linguagem formal). Para quem não se conhece, o certo é falar o nome colocando -shi no final (“I’m a big fan, Beyoncé-shi”), para quem já se trata confortavelmente, se usam termos que remetem à família (nhóó :3). Por exemplo, se eu, indivíduo do sexo feminino, vou falar com meus coleguinhas mais velhos daqui, eu os chamaria de Gustavo-oppa e Amanda-unnie imagina que legal. Assim também acontece com pessoas que são do mesmo ramo que você mas estão lá há mais tempo, os sunbae ou veteranos (tipo a Fátima-sunbae e a Patrícia-sunbae, por exemplo). Por isso é muito comum que estrangeiros acabem sendo rudes sem querer querendo, ao tratar informalmente coreanos mais velhos. Não vai dar essa bobeira, hein, a gente já está te ensinando.

Dica da mari nº2: Infelizmente também só disponível em inglês, o site My Korean Husband é uma dica legal pra saber mais sobre as diferenças culturais dos coreanos. Ele pertence à Nichola, uma australiana (S2) casada com um coreano, o Mr. Kwon ou Hugh. Eles fazem um vlog falando apenas sobre essas diferenças e a Nichola também desenha quadrinhos contando situações cotidianas dos dois, vale a pena conferir.

Hallyu Wave: a tsunami coreana

Ok, não estamos falando de catástrofes ambientais. A Hallyu Wave ou Onda Coreana in portuguese, é como ficou conhecido o fenômeno de proliferação da cultura pop coreana pelo mundo. Ela começou bem de mansinho na década de 1990, quando os grupos de K-pop (música pop coreana) começaram a fazer sucesso na China. Mas foi nos anos 2000 que o negócio ficou sério. Em 2002, o drama, espécie de série ou novela de curta duração, chamado Winter Sonata (2002) virou febre no Japão. Os dramas coreanos então começaram o que pesquisadores (sim, há pesquisadores em hallyu wave) chamaram da primeira fase do fenômeno.

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Mas é a segunda fase que abre as portas da Coreia para o mundo. E a chave dessa parada foi o K-pop. A internet foi a ferramenta principal para trazer o K-pop ao ocidente. Ainda hoje, fãs do mundo todo aguardam ansiosamente o lançamento de novos videoclipes no Youtube, e é por meio do canal que muitos grupos começam a ganhar notoriedade também (que o diga o rapper coreano oldschool, PSY). Por isso a indústria de entretenimento e o governo coreano não perdem tempo em incentivar essa exportação massiva da cultura coreana. Para o governo foi uma forma inclusive de apagar a imagem da Coreia das guerras e tensão militar. Para os empresários e grandes agências de artistas do país significa rios de dinheiro. Para as fãs de países distantes, maiores chances de ver os ídolos asiáticos. Foi o que rolou esse ano, por exemplo, quando o grupo coreano Super Junior realizou a tour sul-americana, passando pelo Brasil. Cerca de 8 mil fãs incluindo eu lotaram o Credicard Hall em São Paulo, e cantaram loucamente em coreano toda a playlist dos maiores sucessos do grupo. Você pode conferir o making of da vinda do grupo ao Brasil e uma parte do show no primeiro episódio da série de documentários que o canal sul-coreano MBC fez sobre a tour sul-americana do grupo, e está legendado em português (uhuu!).

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Super Junior lotou Credicard Hall, em São Paulo, em abril desse ano

Então, essas foram só as boas vindas, ainda tem muito mais pra conhecer sobre a Coreia do Sul nessas próximas semanas, começando com algumas novidades Pra Ver amanhã. A conversa continua na próxima segunda. Enquanto isso, que tal compartilhar aqui alguma experiência que você tenha em relação à Coreia?

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9 pensamentos sobre “Qual é a resposta certa, Lombardi?

  1. Putz… Desde o começo eu imaginava que o país asiático escolhido seria a Coréia do Sul, por motivos óbvios (oi Natália, oi Mariana), mas vocês despistaram tanto com as dicas que nem arrisquei o palpite no comentário do post anterior. Certeza que este país será mostrado com muito carinho por aqui. Bom trabalho, moçada!

    • Pedrox, queríamos testar se vocês estavam com o modo Sherlock ligado. Agora, tenha certeza, carinho pela Coreia é o que não vai faltar nas próximas semanas. Continua conferindo que ainda vem mais surpresas por aí!

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