Fantasia e Literatura: Mundos imaginários que nos ensinam a viver melhor

Que história tu achas mais interessante: aquela que te emociona por sua cruel realidade ou a que te faz viajar num mundo diferente, despertando todos os teus sentimentos mais profundos? No mercado da literatura, a fantasia é uma campeã de vendas, e eu sei que tu deves ter pelo menos um livro de literatura fantástica na tua estante, não é? Ou então, tu podes ser fã das peripécias de Harry Potter, Frodo e Bilbo Baggins, Arya Stark ou Daenerys Targaryen, essas duas últimas da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, que é um espetáculo de profundidade de informações, leitura e de venda no Brasil e no mundo. (♥.♥) Se sim, já estás familiarizado com o estilo.

Como eu, tu e todo mundo, não desperdiçamos uma conversa sobre esse gênero que encanta crianças, jovens, adultos e senhores de idade também, por que não, resolvemos falar sobre esse tema no Pra Ler de hoje. E também, descobri que grandes escritores de livros que no Brasil fazem sucesso nasceram na Austrália. É deles que vamos falar agora.

O mundo fantástico (e triste) de Shaun Tan

Impossível dar destaque a apenas uma obra deste rapaz, ele próprio e seu mundo imaginário é o mais importante e interessante pra se falar. Shaun Tan cresceu desenhando, e desde a escola já era famoso por isso. Ele sai da escola e decide estudar literatura (?). Não, não, o cara não fez nada de errado, ele sabia o que estava fazendo, pra nossa alegria.

Ok, preciso confessar que me apaixonei por esse cara. Ele é muito bom.

A partir de 1996, Tan começa a lançar os seus livros ilustrados, porém, não podem ser chamados de livros ilustrados. Esses livros parecem mais com quadrinhos, mas não são quadrinhos (no seu site ele os chama de Picture Books, ou livro de imagens). A grande característica que os difere é que a história é contada a partir das imagens, e o texto serve apenas de apoio, o que é uma inversão de um dos maiores valores da literatura: a palavra. E quem foi que falou que a imagem tem menor participação na narrativa da história?

A segunda diferença na obra de Shaun Tan é que apesar da lindeza e da fofura das imagens, e dele escrever “livros ilustrados”, seu trabalho não se destina APENAS às crianças. Todos os livros tratam de um universo que é distante da realidade em poucos aspectos. Ele pega características e as transforma, ou as exagera ou as evidencia com relação a um aspecto humano. Sua obra é triste e mostra um ser humano sem expectativas de vida, sozinho, depressivo. Sua especialidade é dizer aos homens o quanto os seus defeitos o tornam infelizes e indignos. Parece que ele está a todo momento falando: as pessoas são rudes, só se preocupam com seu próprio nariz e você é uma delas.

Um dos três livros publicados no Brasil (só isso, meu Deus? :{ ) é o graphic book A Chegada. Composto apenas por imagens, o livro é o resultado de quatro anos de pesquisa sobre imigração, e fala sobre a chegada de um homem, que se separou de sua filha e sua mulher, em uma terra estranha. Encontrei esse blogueiro que comprou e leu o livro falando sobre sua experiência e mostrando uns desenhos dele.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=D-Hry7k2Y2g%5D

O trabalho de ilustração de Tan é tão incrível que ele foi convidado a desenhar em estúdios hollywoodianos, inclusive participando da criação da animação Wall-E (fazendo cara fofinha). Depois disso, trabalhando junto a Andrew Ruhemann, Shaun Tan tranformou seu livro A Coisa Perdida, no curta de animação The Lost Thing. A história fala sobre o modo com que nós, humanos cheios de defeitos, damos valor às coisas e decidimos usá-las ou não, como somos capazes de perder as coisas e simplesmente esquecê-las. O enredo é o seguinte: um cara vai até a praia e encontra no meio do lixo um animal que parecia estar perdido, e ele passa o filme todo decidido, procurando por um lugar pro animal, partindo da teoria de que todos devemos encontrar o nosso lugar. Um roteiro lindo desses com a ilustração incrível de Shaun Tan só poderiam dar em coisa boa, não é mesmo? E deu: eles ganharam o Oscar de Melhor Curta Metragem de Animação em 2011. Não consegui achar o filme com legenda em português, mas te trago com legendas em espanhol (eu consegui entender direitinho).

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=_WOJ_xNklsw]

Se quiseres, podes ver também o filme sem legendas em duas partes: Parte 1 e Parte 2

Assista Justin Timberlake e Mila Kunis fazendo gracinhas e entregando o Oscar para Shaun Tan.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=e90G8YxzUbI]

Se você ainda quiser saber um pouco mais sobre literatura australiana, leia o post sobre a série de livros Deltora Quest aqui.

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2 pensamentos sobre “Fantasia e Literatura: Mundos imaginários que nos ensinam a viver melhor

  1. Parabéns pelo texto. Achei bem pertinentes as colocações sobre esse que é um dos escritores-ilustrados (vai ser preciso um novo termo para tentar descrever o que Tan faz!) que refletem bem as contradições e paradoxos do mundo por meio da literatura infantojuvenil, se é que se pode etiquetar o trabalho desse artista. Só faltou citar “Contos de Lugares Distantes”, um livro icônico do Shaun já publicado aqui, a milhas e milhas da Austrália.

    • Ah, pode crer, cara. Contos de Lugares Distantes é um livro incrível, e já tá na minha lista de compras, acredite. Os três livros publicados no Brasil são: A Coisa Perdida, A Chegada, e esse livro que reúne 15 contos. Tem ele na Saraiva, mas ainda vou dar uma pesquisada pra ver se eu encontro mais barato. http://goo.gl/p2odkd
      Muito obrigado por ter lido o texto, Hugo 🙂

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