Arquitetura (do babado) na terra dos cangurus

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Uma das marcas registradas da Austrália é  definitivamente a Opera House de Sydney, um primeiro e maior marco da arquitetura do país. Mas só o primeiro. Na realidade alguns arquitetos australianos parecem ter seguido no embalo desse monumento arquitetônico pra  desenvolver muitos outros projetos que a palavra irreverente seria pouco pra explicar. São construções artísticas que mostram o caráter experimental de alguns projetos arquitetônicos do país e que definitivamente marcam o nome do lugar no cenário arquitetônico mundial.

Opera House: de projeto ambicioso a cartão postal

Concurso para desenvolvimento de design de uma obra pública, longo processo de construção, gastos extensivos de dinheiro, mudança de governo, falta de pagamento e muitos protestos. Não, não estamos falando das obras da Copa no Brasil. A construção da Opera House de Sydney foi cercada de muitas surpresas, dramas e reviravoltas dignas de novela mexicana. E essa novela começa em 1956 com o concurso aberto pelo governo de Nova Gales do Sul (o estado australiano cuja capital é…adivinha? Sydney!) para a construção de um prédio que abrigasse dois espaços para performances: uma para apresentações de ópera, e outra para concertos sinfônicos. O vencedor foi o arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, com um projeto ambicioso que se baseava nos cascos dos navios que circulavam pela Baía de Sydney, local em que seria construído o prédio.

(Dá pra conferir fotos do processo de construção da Opera House aqui)

E foi justamente na fase de construção das “conchas” que recobrem o local que a coisa se complicou. O desenvolvimento de estratégias de engenharia para construção e a finalização dessas peças levou cerca de oito anos, e foram mais três para desenvolver os  azulejos que as recobriam. Nesse meio tempo, uma mudança no governo no estado complicou a vida de Jorn Utzon, que parou de ser pago após questionamentos em relação ao tempo e gasto de verbas públicas na construção. O arquiteto ficou oficialmente de mal com o governo australiano e deixou o país  em 1966, deixando incompleta a construção da área interna do espaço. À sua saída seguiram-se uma série de protestos, mas o projeto acabou sendo retomado por outra equipe de arquitetos e entregue  nas mãos reais de Elizabeth II em 1973. Eventualmente, em  1999, o governo australiano conseguiu fazer as pazes bonitinho com Jorn Utzon, e o arquiteto finalmente retornou para contemplar sua obra finalizada. Antes de seu falecimento, em 2008, ele foi ainda agraciado com o Pritzker Prize, maior prêmio da área da arquitetura, em 2003,  e pode ver a Opera House ser incluída na lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade, em 2007.

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Jorn Utzon ensinando que um pouco de ambição é sempre necessário

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Mantendo a reputação

E não pense que essa história de amor do país com a inovação arquitetônica acaba por aí. Muitos projetos inovadores se seguiram em diversas localidades da Austrália. Um dos nomes mais famosos internacionalmente quando se trata de construções irreverentes no país é a ARM Architecture, empresa que já esteve presente em mostras internacionais como a Bienal de Veneza. Fundada em 1986, em Melbourne, a ARM é reconhecida pela pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas que marcam o design surpreendente, muitas vezes fazendo referência direta a elementos do universo digital, como no caso do Teatro de Melbourne e a Arena de Perth. Uma de suas obras mais importantes entretanto é o Museu Nacional da Austrália, em Canberra, finalizado em 2000. Na página oficial da empresa, o depoimento de um dos visitantes do lugar resume a obra como “uma metáfora para a Austrália”. Missão mais que cumprida, não?

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Austrália versão pocket

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2 pensamentos sobre “Arquitetura (do babado) na terra dos cangurus

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